Se você pudesse voltar no tempo, o que gostaria de saber antes de ir para a Itália?

antes de ir para a Itália

Compartilhe este post

Tradução de Ivair Carlos Castelan

Eu estudei italiano na universidade; lá me falaram sobre política e literatura, mas ninguém me contou o que eu deveria saber antes de ir para a Itália, sobre os hábitos dos italianos, como eles se comportam em determinadas situações e nem eu mesma tinha pensado nisso.

Quando cheguei à Itália, eu era, como se diz no meu país, um “quadro em branco” em muitos aspectos: especialmente no que diz respeito à vida cotidiana e às relações entre as pessoas, em como cumprimentar e interagir.

Coisas que todos deveriam saber antes de ir para a Itália

Como os italianos se cumprimentam

Em primeiro lugar, percebi que não sabia cumprimentar!

Pode parecer bobagem, mas foi complicado no começo. Eu sabia que se dá um aperto de mão quando alguém é apresentado a você e que se dá dois beijos em amigos ou parentes.

Algo que aconteceu comigo, relembrando agora, pode ser motivo de riso: quando eu estava na frente das pessoas, não sabia o que fazer. Como eu faço com pessoas que eu já conheço, mas que ainda não são amigos ou familiares? Retribuo o beijo? Eu continuo apertando as mãos? Eu digo “olá” e basta?

No meu país, é muito normal dar um beijo e um abraço nas pessoas que você conhece recentemente, nos colegas de trabalho, mas aqui eu percebi que se você fizer isso, pelo menos no norte da Itália, poderão olhar para você de uma forma estranha.

Por fim, descobri que se você disser “bom dia, como você está”, tudo bem.

A partir daí comecei a entender que tinha que me colocar no lugar dos italianos.

No início, foi muito bom, porque me identifiquei mais com os italianos do que com as pessoas do meu país de origem. Fiquei muito empolgada porque via que as coisas funcionavam bem, que as pessoas eram muito educadas, que se podia viver tranquilamente e eu me via nisso tudo.

Então, com o passar do tempo, mesmo que essa percepção se mantinha, comecei a vivenciar mais a vida cotidiana e me senti um pouco isolada porque não encontrava a mesma “espontaneidade” típica da América Latina entre as pessoas.

O mais estranho é que não me sentia à vontade nem mesmo com os venezuelanos pois estava um pouco cansada do caos do meu povo.

Mas todas essas são coisas que, mesmo que ninguém lhe diga antes, você as aprende com o tempo e começa a encontrar um lado positivo.

Por exemplo, aqui não é tão natural estar com amigos para comer ou tomar café a qualquer hora do dia (pelo menos em Milão, isso deve ser planejado), mas o lado positivo é que isso ajuda a organizar seu tempo e quando finalmente, você está com amigos, está realmente com eles e não pensa em mais nada.

Como é o comportamento dos italianos entre si

Outra coisa que ninguém lhe diz antes de ir para a Itália, e que você não pensa, é o comportamento dos italianos entre eles.

Você começa a descobrir que, em muitos casos, os estereótipos não são verdadeiros. Uma das coisas mais bonitas que me impressionou é o respeito pelos outros.

Não sei se o descrevo como educação ou como boas maneiras, mas percebi que os italianos são boas pessoas; sempre respondem ao “bom dia”, o cumprimentam calmamente, o recebem bem nas lojas.

Por acaso, vi que uma pessoa repreendeu outra por ter jogado o cigarro no chão e, esta pessoa, em vez de ficar com raiva respondeu “é verdade, você está certa, desculpa”.

Fiquei impressionada! Eu esperava algo agressivo ou uma má resposta.

É óbvio que existe de tudo, a perfeição não existe em nenhum lugar, mas aqui, na maioria dos casos, eles são muito gentis.

Como é o comportamento dos italianos com os outros

Eu nem sabia que os italianos eram tão curiosos.

Eles são gentis, principalmente os velhinhos, e assim que ouvem que você tem um sotaque diferente (a beleza de ter um sotaque é esta) eles perguntam de onde você é, se interessam pelo seu país e quase sempre a conversa termina com um “Que legal, você vem de um lugar fantástico”.

Lista de coisas para saber antes de ir para a Itália

Como eu disse anteriormente, nenhum país é perfeito, na Itália existem dificuldades como em todos os outros países, por isso deixo uma lista que resume outras coisas que eu não sabia e que gostaria de ter sabido antes de vir para a Itália, assim vocês estarão preparados para qualquer eventualidade:

  • Eu não sabia, antes de ir para a Itália, da existência de uma diferença tão grande entre o Norte e o Sul. Às vezes fica pesado ver e ouvir como as pessoas se tratam mutuamente, mesmo que de maneira depreciativa, usando termos como “terroni” e “polentoni”.

A Itália parece ser dois países em um.

  • Ligado à ideia anterior: conhecer a eventual frieza dos italianos do Norte e a demasiada abertura dos italianos do Sul. 
  • Que o ritmo da vida do norte, especialmente em grandes cidades como Milão, é rápido o suficiente e que às vezes eles olham feio para você, se você não é pontual, e com razão.
  • As possíveis dificuldades que eu encontraria em procurar e achar um trabalho.
  • Soletrar. Até hoje não sei fazer isso.
  • Como escrever e-mails formais e, sobretudo, entender quando devem ser!

Eu estava acostumada que depois de dois ou três e-mails eu já conhecia a pessoa com quem eu estava trabalhando e para que eu pudesse responder de uma forma mais relaxada e informal, talvez com alguma piada; em vez disso, descobri que, mesmo que tenha falado com a mesma pessoa 1000 vezes, já nos vimos etc., se eu tiver que enviar um e-mail de trabalho, este será sempre formal e você terá que encerrar com um “Saudações cordiais” ou um “Cordialmente”.

  • E por último, mas não menos importante: seria bom considerar que muitos italianos não sabem ou não gostam de dançar, mas isso é muito pessoal.

É importante que todos saibam que sempre há uma exceção em tudo o que eu disse, felizmente!

O maior aprendizado de todos!

É muito positivo estar ciente de que, desde que estou na Itália, cresci muito. Por quê? Porque uma vez que você chega, você tem que se virar.

Você deve procurar, ir, ver, entender. Você precisa aprender a raciocinar de outra maneira, seus hábitos e rituais se tornam diferentes.

Desde que estou na Itália, aprendi muitas coisas que posso transmitir às pessoas do meu país. Também tenho um ganho adicional em nível espiritual pelo simples fato de ser feliz toda vez que alguém me responde “bom dia” ou me trata gentilmente.

Aprendi a ser mais paciente e tolerante e isso, sem dúvida, ajuda você a crescer.

Além disso é uma sensação agradável ouvir que o fato de chegar de outro país oferece outros instrumentos para perceber e comparar a realidade, para chegar a certas soluções de uma maneira diferente da italiana, respeitando, no entanto, suas maneiras de agir.

Estou muito feliz por estar onde estou agora e sei que, mesmo que haja dificuldades, elas podem ser superadas, e é isso que quero passar para todas as pessoas que têm o desejo de conhecer este país maravilhoso, as coisas que elas devem saber antes de vir para a Itália.

Basta fazer um esforço para entender a mentalidade dos habitantes locais, para não pensar como quando você estava no país em que nasceu, mas tentando se colocar no “lugar” dos italianos.

Então, tudo se torna muito mais fácil.

Leia também o artigo em italiano: Che cosa avresti voluto sapere prima di venire in Italia

Faça o exercício desse artigo: Esercizi

Veja também:

Storia di Aline Aquino Gargiulo

“Ho un debito con l’Italia”   Con queste parole inizia la storia di Aline Aquino Gargiulo. Aline è una donna sempre sorridente, molto educata e

Leia mais

Roma

ROMA Para quem ainda não conhece Roma, descobrirá que é impossível caminhar de um ponto a outro sem explorá-la  Texto elaborado a partir da live

Leia mais

Itália da Giulia · 2023 © Todos os direitos reservados