A Carteira De Habilitação Na Itália: Segunda Parte

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Tradução de Ivair Carlos Castelan

Vocês se lembram onde estávamos com essa história de tentar tirar a carteira de habilitação na Itália? Eu estava traumatizada porque fui reprovada no exame prático de condução em Milão. Agora, aqui estou eu, para contar a vocês minha segunda tentativa de superar não só este exame, mas também meus medos sobre quatro rodas na estrada.

Da primavera passamos ao verão. Dia 16 de julho, a data de vencimento da minha carteira provisória, se aproximava e, por esse motivo, eles fixaram como data do exame prático, a sexta-feira 12. A ansiedade aumentava cada vez mais porque eu não podia errar. Eu fiz mais de 25 aulas práticas (na verdade eu perdi a conta) porque queria me preparar bem para este segundo exame. Eu tentei treinar especialmente mentalmente, pensando, analisando e tentando me convencer de que eu poderia fazer isso, que eu era capaz. Ainda não entendo por que tinha tanto medo da estrada.

Dessa vez, o exame estava previsto à tarde. Fazia muito calor, mas para mim ainda é melhor que o frio. Nós éramos 6 pessoas, 5 meninas e um menino; 3 de nós já haviam se encontrado pela primeira vez, então estávamos lá, no mesmo local do exame, compartilhando a preocupação de sermos reprovados pela segunda vez.

Chegou o grande momento, a segunda oportunidade

Um pouco depois das 14h, chega a pessoa que tem que nos avaliar e desta vez é uma mulher. Ela pergunta quem é o primeiro e o coloca no carro imediatamente. Desta vez, começamos de maneira diferente da primeira. Com a primeira pessoa, o exame durou cerca de 20 minutos e o resultado: reprovado. Evidentemente, o estresse de todos aumenta. O segundo e futuro condutor entra no carro. Eles fazem o percurso enquanto nós esperamos. Eles voltam depois de meia hora e ele sai do carro com a CNH na mão. Bem! Um em cada dois, há esperança.

Agora é a minha vez, será que vou conseguir minha tirar minha carteira de habilitação na Itália? Respiro fundo antes de entrar no carro, a examinadora me pede meus documentos e começamos o exame. Desta vez, sem perguntas orais, apenas a prática. Eu me senti muito mais segura do que a primeira vez, mas mesmo assim um pouco agitada, é claro. Os minutos passam e eu sigo as instruções: ela me pede para fazer algumas manobras, eu estaciono e está tudo bem, ela me pede para fazer outra baliza que não fica tão boa, então ela me pede para acertar a posição do carro. Eu faço e tudo ok. Nós prosseguimos. 

Tudo vai muito bem até que a examinadora começa a me perguntar por que estou indo tão devagar. Respondo-lhe “porque há um limite de velocidade nesta via”, mas ela fica um pouco nervosa e me diz que, de qualquer forma, estou indo muito abaixo do limite, que eu deveria usar a terceira marcha.

Meus nervos tentam me trair novamente

A partir daí, começo a ficar um pouco mais nervosa. Acho que talvez estou errando, então tento me lembrar de tudo o que me foi explicado na autoescola. E continuo. Quando acho que as coisas não poderiam piorar, duas crianças aparecem do nada de bicicleta de um cruzamento. Paro abruptamente, um monte de árvores não me deixava ver bem as crianças e, justo naquele momento, o carro desligou. Eu já previa o resultado final: reprovada. A examinadora passiva não me diz nada; ela percebeu que as crianças saíram de repente e talvez por isso “ela me perdoou”. 

Continuo ainda mais ansiosa: minha boca estava seca e meus pés tremiam; ela me pede para acelerar e me faz seguir pelo anel viário, que é um caminho rápido fora da cidade. “Que medo de acelerar, droga”, eu pensava, mas era um risco não fazê-lo. E assim eu continuei por 35 minutos. Eu não via a hora de terminar aquele exame. Finalmente, ela me pede para voltar. 

Quando chego ao ponto de partida, paro e ela começa a me fazer perguntas capciosas, feitas para enganar e testar se você está realmente preparado e ciente do que aprendeu. Respondi com as informações que conhecia, mas eu já estava bloqueada, não sabia se havia sido reprovada ou se havia passado no exame para tirar minha carteira de habilitação na Itália.

Enfim o resultado, após um breve discurso 

Ela me faz um discurso sobre o risco de ir muito devagar na rua. Agora que me lembro disso dou risadas: normalmente, fazem discursos sobre excesso de velocidade, mas eu era a velhinha que ia devagar e que irritava os outros motoristas. Eu respondo que tenho consciência disso e lhe explico que a ansiedade do exame me fez agir assim. O instrutor, que sempre fica no carro para acompanhar os alunos durante o exame, tranquiliza-a dizendo que, na verdade, eu estava preparada e que as últimas práticas haviam corrido bem. 

Chega o momento tão esperado: a examinadora me faz assinar uma folha em branco, mas eu não entendi o que era. Olho para ela e do bolso ela pega este precioso pedaço de plástico: senhoras e senhores, eu consegui, eu tenho licença para dirigir! Saio do carro mais suada que um jogador de futebol aos 90 minutos do jogo e quase não acreditava no que estava acontecendo comigo. Essa história pode parecer um pouco exagerada, mas eu a vivi assim; tudo para conseguir tirar a minha tão “suada” carteira de habilitação na Itália.

Não quero exagerar, mas sinceramente não me lembro de ter sentido tanta ansiedade antes; talvez tenha sido causada por estar em um país com regras tão diferentes do meu país, onde tudo sobre rodovia, até recentemente, era desconhecido para mim. Além disso, tudo o que requer um investimento da nossa parte, não só de dinheiro, mas de tempo, esforço e emoção gera ansiedade em nós, que em alguns é mais forte do que em outros. 

Conclusão final sobre tirar carteira de habilitação na Itália

Ao contrário do primeiro exame prático, no qual praticamente me joguei sem estar preparada, desta vez também procurei mais informações, li as histórias, depoimentos e conselhos daqueles que o fizeram. Todos eles chegaram à mesma conclusão: o que importa durante o exame prático de condução não é o número de erros que você comete, mas a qualidade do erro e como você consegue resolvê-lo. 

Minha conclusão é que eles provavelmente o colocam sob estresse, fazendo-lhe perguntas enquanto você dirige, ou de alguma outra maneira para entender se você está apto para resolver todas as situações e todos os problemas, apesar das circunstâncias, porque, no final, a vida real também é assim.

Leia também o artigo em italiano: La patente in Italia seconda parte

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