A Carteira de Motorista na Itália: O Desafio de Voltar à Escola

Compartilhe este post

Tradução de Ivair Carlos Castelan

Eu usei a palavra “escola” porque, para obter uma carteira de motorista na Itália, você não apenas precisa estudar, mas também saber gerenciar a ansiedade dos exames e a espera dos resultados.

A carteira de habilitação, isto é, o documento que permite dirigir um veículo, é algo que os italianos normalmente fazem quando atingem os 18 anos. Mas nós, estrangeiros, deveríamos fazê-la quando possível; muitos de nós a fazemos porque moramos longe, pelo trabalho ou simplesmente como um desafio pessoal. No meu caso, trata-se das duas últimas opções: entendi que para mim era necessário ter a carteira de motorista na Itália.

Então, aos meus 32 anos, estou frequentando a Escola de Condução/Autoescola. Porque para poder obter uma carteira de motorista, você precisa fazer um curso, um exame teórico, um oral e um prático. Tudo é pago e a duração pode ser de 6 meses, um ano ou um pouco mais; depende de quão bom e perseverante você é com o curso.

A flexibilidades nas aulas teóricas

Normalmente, as aulas teóricas são bastante flexíveis e podem ser assistidas em vários momentos; assim, para quem trabalha, é bem cômodo. Eu fazia duas horas por semana até atingir um total de 24 temas, que também estão no manual teórico que você compra no início. Tudo isso é acompanhado através de um aplicativo que permite que você faça os famosos “quiz”, que o prepararão para o dia do exame teórico.

É IMPORTANTÍSSIMO fazer esses quiz em casa, no parque, e se você estiver de férias todas as vezes que puder; eles seguem a modalidade da prova e têm diferentes níveis de dificuldade. Dessa forma, quando eles anunciam a data do seu exame, você não entra em crise porque precisa estudar tudo junto ou com pressa. Eu garanto que fazer os quiz como método de estudo pode ser a chave para o sucesso.

Enfim, chegar o tão aguardado exame

Finalmente chega o dia do meu exame. Uma manhã de inverno em que eu não sabia se tremia de frio ou de ansiedade pelo teste. Não dormi bem, parecia exatamente um adolescente na escola em um exame final. Mas então me encontro na sede do Ministério dos Transportes de Milão, onde o exame será realizado e me sinto como uma velha no meio de todos aqueles adolescentes prontos para dirigir o carro dos seus pais.

Está na hora, eles me chamam, eu me sento na frente do PC, verificam meus dados e a prova começa, junto com todos os outros alunos. Eu tenho 30 minutos (e um buraco no estômago) para responder a 40 perguntas com verdadeiro ou falso. Se eu errar 4 perguntas, me reprovam e terei que repetir (e pagar novamente) a prova. Termino 25 minutos depois e eles me dizem para esperar pelos resultados.

Aproximadamente 20 minutos se passam e chegam os formulários com os alunos “Aptos” e “Rejeitados”: no meu cartão está escrito “apta”, isso significa que eu passei na prova! Experimentei quase a mesma felicidade de quando terminei minha tese na universidade. Naquela noite dormi um sono tranquilo.

Carteira de motorista “temporária” e exame prático

Quando você passa no exame teórico, alguns dias depois, recebe a tão esperada “Folha rosa”, ou seja, uma carteira de motorista temporária – de cor rosa – que permite que você faça aulas práticas e dirija por conta própria, mas sempre acompanhado por uma pessoa que tenha habilitação há pelo menos 10 anos.

Quatro meses depois, chega a data do exame prático. Eu tenho que fazê-lo em um sábado de manhã e sinto a mesma sensação da prova teórica, mas com menos frio, porque já é primavera. No meu caso, a ansiedade aumenta um pouco, me sinto insegura porque “eu nem andei de bicicleta na cidade, imagina um carro com os câmbios!” Mas eu não era a única e isso me deu um pouco de esperança.

São oito da manhã e o instrutor da escola nos leva a um lugar da cidade que é mais ou menos tranquilo, mas que possui todas as características adequadas para testar tudo o que você aprendeu durante as práticas. O examinador chega e explica que o exame será realizado em três fases:

  • uma das perguntas orais sobre o conhecimento do carro que dirigiremos,
  • uma segunda de manobras (estacionamento e marcha à ré) e
  • uma terceira com os diferentes tipos de direção (em cidades, rotatórias e rodovias…).

Começa a perguntar a cada um de nós a primeira fase. Me saí bem nesta. Percebi que, enquanto respondíamos, estávamos todos pálidos de nervos. Enquanto isso, penso: “sou a única estrangeira no grupo, mas se eles, que são italianos, se sentem assim, então é normal que eu também me sinta assim!”.

Exame prático, nervos à flor da pele

A fase de manobras chega e meus pés estão tremendo nos pedais, para mim estacionar é a coisa mais difícil. Mas essa parte também correu bem! “Mais uma fase e terei minha habilitação em mãos”, pensava.

Chegamos à última parte e começo a dirigir, alguns minutos se passam e tudo está bem, o examinador me diz para virar à direita e eu obedeço, estou atenta a tudo, às paradas, às pessoas que atravessam, ao semáforo, ao volante; e quando viro à direita, o carro faz um movimento estranho no lado direito.

O examinador me diz: “nada, até o próximo mês”, o instrutor, que estava do meu lado direito, me pede para parar e mudar para o banco do passageiro. Eu fui reprovada! Eu estava confusa, não entendi o que tinha acontecido. Alguns minutos depois, meu instrutor me explica que eu havia subido na calçada da esquina e isso é considerado um erro. O problema é que eu estava tão nervosa que não percebi o que estava acontecendo.

Fica para próxima, eu não desisto

Por fim, pessoal, vou lhes contar como essa história terminará algum dia. A partir de agora, terei que trabalhar com meus medos, controlar mais a ansiedade, lembrar que superei desafios maiores na vida, como escola, universidade, trabalho e me jogar para praticar nas ruas.

Eu digo a vocês que não há nada para se envergonhar. Não fui a única reprovada, em um grupo de 4 pessoas, o mesmo aconteceu com 3. Isso significa que não estamos prontos. A questão da carteira de motorista na Itália é um assunto sério comparado a muitos países da América Latina; você precisa fazê-la bem, aprender novas regras e atitudes que não existem em nossos países de origem.

Precisamos aprender uma nova terminologia específica em italiano, identificar novos sinais, conhecer outras estruturas rodoviárias, normas e, é claro, entender que existem multas pesadas para quem não sabe dirigir corretamente. Por tudo isso, há um motivo: no final, o mais importante é evitar acidentes e proteger a própria vida e a dos outros.

Dica útil para obter uma carteira de motorista na Itália

Observação: Muitos de vocês podem respirar com calma, amigos brasileiros. Um Acordo de reciprocidade está em vigor desde janeiro de 2018 para a conversão de sua habilitação e é válido, por enquanto, até janeiro de 2023.

Este acordo diz que os titulares da carteira de habilitação brasileira que residem na Itália há menos de quatro anos no momento da apresentação do pedido podem solicitar a conversão da carteira de motorista sem fazer os exames.

No entanto, aqueles que residem na Itália há mais de quatro anos poderão obter a emissão da carteira de habilitação italiana por conversão, somente depois de terem sido aprovados nos exames de revisão da carteira de habilitação.

Abaixo deixo o link com as informações mais detalhadas sobre esse processo:

Processo para conseguir a habilitação italiana.

Leia o artigo em Italiano: La patente in Italia

Faça o Exercício deste artigo: Exercício

Veja também:

Storia di Aline Aquino Gargiulo

“Ho un debito con l’Italia”   Con queste parole inizia la storia di Aline Aquino Gargiulo. Aline è una donna sempre sorridente, molto educata e

Leia mais

Roma

ROMA Para quem ainda não conhece Roma, descobrirá que é impossível caminhar de um ponto a outro sem explorá-la  Texto elaborado a partir da live

Leia mais

Itália da Giulia · 2023 © Todos os direitos reservados