As Cores Na Itália

Cores Na Itália

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Pode parecer bobagem, mas não é. As cores são importantes em todas as culturas porque fazem parte de sua identidade, história, falam sobre como é uma sociedade, no que as pessoas acreditam. Em suma, as cores têm um alto valor simbólico e, quando vamos para outro país, é necessário conhecer esses códigos para evitar ser visto com olhos estranhos ou pensar que os outros são estranhos sem saber o porquê.

Angélica M. Velazco J.

A história das cores na Itália, assim como em todas as partes do mundo, tem uma origem social. É a sociedade que lhes dá um significado, que lhes dá um código e um valor de acordo com o momento histórico.

Essa é a razão pela qual as cores têm uma grande importância sociocultural, porque explicam o contexto de cada sociedade de um ponto de vista religioso, político, social, étnico e até econômico.

Como no caso da Itália, que durante o Renascimento expressou a riqueza e a fecundidade desse período histórico através da arte e da qualidade e variedade de cores dos artistas do momento, como Filippo Brunelleschi, Sandro Botticelli, Leonardo da Vinci, Michelangelo Buonarroti, Raffaello Sanzio, Donatello …

Além disso, as cores podem ser uma ferramenta de comunicação não verbal muito forte.

Na China, por exemplo, o branco é a cor do luto, em algumas culturas indianas significa infelicidade, mas no mundo ocidental se refere à paz, e também é a cor dos médicos, dos enfermeiros, das noivas e dos anjos.

Vamos ver especificamente o que significam  as cores na Itália, agrupadas em três grandes segmentos:

1. A moda e as cores na Itália, um país onde estilo e estética fazem parte da vida cotidiana:

As cores se tornaram importantes no mundo da moda desde que as marcas mais importantes começaram a se identificar com tons específicos que se tornaram icônicos e mantidos ao longo do tempo. Por exemplo, Giorgio Armani criou sua própria cor, o “greige”, um meio termo entre cinza e bege.

Para esse estilista, provavelmente o mais importante e famoso da moda contemporânea italiana, essa cor significa neutralidade e requinte, um luxo sem exageros.

No mundo da moda, as cores criam uma identidade:

● Branco: comunica pureza, luz e perfeição.

● Vermelho: reflete emoções, incluindo provocação, paixão e segurança imediata.

● Amarelo: felicidade e alegria, alegria e energia.

● Laranja: calor, entusiasmo e energia. Reflete um humor positivo.

● Rosa: amor puro, ternura e doçura.

● Roxo: está conectado com fantasia e luxo.

● Azul: símbolo de produtividade e dinamismo.

● Verde: natureza, paz e tranquilidade.

● Marrom: segurança, estabilidade e confiabilidade.

● Cinza: uma cor reservada que não expressa muitas emoções.

● Preto: distinção e elegância.

2.  A superstição e as cores na Itália:

Cada país tem crenças e rituais que não são tão racionais, mas que afetam o pensamento e a conduta das pessoas.

Na Itália, um sinônimo de superstição é “simpatia” e está mais presente em algumas regiões do que em outras, mas, em qualquer caso, as cores também têm seu significado a partir deste ponto de vista:

● Vermelho: conecta-se ao fogo e paixão, raiva, perigo e destruição. Para proteger as crianças contra o mau-olhado (a superstição em que o olhar produz efeitos negativos sobre a pessoa observada), pedaços de pano vermelho ou amuletos são usados.

● Amarelo: é a cor da desordem e da loucura. Mas, para muitos agricultores, se prevalecer o amarelo em um arco-íris, o ano para a colheita do trigo será favorável.

● Laranja: é a cor do calor, do fogo e está relacionada à criatividade.

● Verde: é a cor da esperança; o verde escuro, no entanto, simboliza inveja e ciúme, para isso existe a frase “está verde de inveja”.

● Azul: instila serenidade e calma, mas também é a cor do abandono e da tristeza.

● Roxo: representa mágica e mistério; é também a cor da nobreza, inteligência, sabedoria e arte. Para artistas de teatro, no entanto, o roxo traz azar.

● Preto: está conectado a tudo o que indica mal, medo e destruição, para o qual é usado em frases como “magia negra”, “desespero negro”, “sexta-feira negra”.

● Branco: expressa pureza, bondade, espiritualidade e esperança para o futuro. No entanto, existe uma superstição específica ligada a essa cor, na qual, se você vir um cavalo branco no Ano Novo, é um indicador de problemas.

3. Combinar a vida com as cores de acordo com a estação:

Isso era novo para mim, porque antes de chegar na Itália, eu escolhia uma cor específica de acordo com o meu humor diário, sem dar importância ao mês do ano. Mas na Itália, como em muitos países europeus, as pessoas se vestem e combinam suas coisas de casa (lençóis, toalhas de mesa e outros ornamentos) de acordo com as estações do ano.

Na prática, cores sóbrias são usadas no inverno: cinza, preto e outros tons escuros. Você pode ver poucas cores ao redor.

Durante o meu primeiro inverno italiano, me perguntei por que a maioria das pessoas usava jaquetas pretas e me explicaram que o preto retém o calor, enquanto o branco o reflete no exterior, como acontece com a luz.

Esta é a razão pela qual durante o verão o branco e outras cores ditas “frescas” são muito usadas: amarelo, verde claro, laranja, fúcsia, azul e muitas cores claras que expressam energia, também em conexão com a forte presença do sol.

Na primavera, para homenagear a presença de flores de várias cores, se usa um pouco de tudo.

No outono, as cores predominantes são as da terra e das folhas que caem das árvores: marrom, laranja, vermelho, bege…

No início, quando comecei a ter um pouco de intimidade com os italianos, pedia conselhos sobre uma bolsa ou uma jaqueta, e eles riam e me olhavam com ternura, quando escolhia objetos com cores vivas no meio do inverno.

Com o tempo, entendi que toda temporada tem uma influência emocional nas pessoas e também pode mudar a maneira como nos sentimos. Por esse motivo, compartilhei minha experiência sobre combinar cores com as estações do ano, e então cheguei à conclusão de que essa é a melhor maneira de estar em harmonia com a natureza e com tudo o que ela nos oferece em um momento específico.

Leia também o artigo em italiano: L’uso dei colori in Italia

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